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A importância da engenharia diagnostica nas edificações

terça-feira, 3 de abril de 2018

Prédios - Águas Claras / DF - Foto: Emerson Tormann
Por Engenheiro Mário Amorim Galvão Junior¹

Em todas as áreas, em quase todos os momentos de nossa vida, fazemos uso da ciência do diagnóstico. Ao verificar se nossa alimentação está correta, se realizamos ou não uma nova despesa, se nossos filhos estão aproveitando bem o currículo escolar e os nossos ensinamentos, se nossa casa está bem cuidada... Tudo precisa ser verificado e diagnosticado, para se tomar racionalmente qualquer decisão.

O diagnóstico é tão importante na Medicina que os médicos qualificados e com excelente atuação nessa área são extremamente valiosos. Não apenas eles são capazes de especificar a doença ali presente, pelos sintomas e pelo histórico do paciente examinado, como, a partir de seu diagnóstico, eles podem fazer o prognóstico, ou seja, a previsão de como a doença vai se manifestar e se desenvolver. Um diagnóstico correto possibilita um tratamento correto.

Não apenas na Medicina o diagnóstico é fundamental. Na área da Comunicação ele tem sido usado assiduamente; também o Diagnóstico Social vem se tornando uma ferramenta para a compreensão de alguma realidade, ao se classificar e organizar problemas e necessidades de um grupo humano. Vemos hoje, também, o desenvolvimento do Diagnóstico Organizacional, que identifica os problemas de uma organização, ou empresa, avaliando até mesmo o nível de satisfação dos seus colaboradores. Temos um importantíssimo procedimento no mundo contemporâneo, que é o Diagnóstico Ambiental, realizado por empresas de consultoria que verificam a qualidade do meio-ambiente, ou o impacto que uma empresa causa no meio biológico, físico e socioeconômico, alertando até mesmo para as possíveis quebras nas leis de proteção ambiental, prevendo problemas com a fiscalização ambiental, que é rígida e minuciosa, como necessário.

E temos, hoje, a Engenharia Diagnóstica atuando intensamente nos empreendimentos da construção civil. Ela age desde o planejamento de um empreendimento, apoiando as construtoras no sentido de prever a segurança e o conforto dos clientes. O engenheiro diagnóstico verifica o todo, desde o início do empreendimento, realizando a vistoria do terreno e imediações, da vizinhança e suas exigências; acompanha a fase da obra e segue até a conclusão. A Engenharia Diagnóstica é capaz de antecipar, mesmo num projeto ainda no papel, a ocorrência futura de problemas na estrutura da obra, como sensibilidade a incêndios ou rachaduras. E tem sido ponto a favor, numa época de competição crescente para os escritórios de arquitetura e engenharia.

Essa disciplina, que trata das investigações científicas de patologias prediais, ensina métodos que possibilitam obter dados para a observação, a caracterização, a análise, o laudo, a apuração da origem, a prescrição do conserto para a patologia em estudo. As origens dessa disciplina são tão antigas quanto a própria Engenharia: ela existe, ainda rudimentar, e de maneira potencial, desde quando surgiu o primeiro problema numa edificação. E, com o tempo, vem sendo cada vez mais qualificada nas suas tarefas. Há décadas funcionam, na Europa e nos Estados Unidos, escritórios de Engenharia Diagnóstica, como, por exemplo, o Institution of Diagnostic Engineers, que foi aberto há mais de trinta anos em Londres, ou a empresa norte-americana Building Diagnostic Inc.
No Brasil, os estudos dessa disciplina vêm sendo desenvolvidos principalmente na Divisão de Patologias das Construções do Instituto de Engenharia, com o apoio de inúmeros laboratórios de ensaios tecnológicos em universidades e em centros urbanos.

As metodologias tradicionais da Engenharia Diagnóstica incluem a percepção sensorial, como o olhar, a audição e o tato; a topografia e a fotografia; a ação mecânica simples, por percussão, arranchamento, penetração ou esclerometria; a ação mecânica com dispositivos elétricos ou hidráulicos, as reações químicas e eletroquímicas; a radiação eletromagnética, e os efeitos elétricos e magnéticos. Hoje, há inovações nos métodos, como a realização de testes em protótipos, ou testes e comissionamentos realizados na própria obra em processo de construção. Os resultados são apresentados por laudos técnicos obtidos nas vistorias, inspeções, auditorias, perícias e consultorias. São esses laudos que garantem a qualidade e a segurança de um processo de construção. Além disso, o engenheiro diagnóstico é qualificado para a apuração de responsabilidades pela ocorrência de alguma patologia predial.

A função administrativa está prevista no Código Civil, com a especificação dos deveres do síndico, que assim pode ter comprometimento na Justiça. Basta que seja comprovada alguma negligência ou omissão. Se ele contratar um funcionário sem os devidos cuidados, e esse contratado causar algum dano ao condomínio, quem responde é o síndico. É grande, portanto, a responsabilidade no sentido de escolher um profissional especialista na identificação das manifestações patológicas, não apenas nos edifícios recém-entregues, como nos mais antigos. Brasília e o Brasil estão repletos de edifícios antigos sem nenhuma manutenção. É preciso dar ênfase à Engenharia Diagnóstica na identificação de manifestações patológicas causadas por projetos mal-elaborados, falhas construtivas ou falhas funcionais (por falta de manutenção). Essa tem sido a grande contribuição da Engenharia Diagnóstica, nos dias de hoje.

Forma-se, atualmente, uma geração de excelentes engenheiros diagnósticos, como uma especialização e aprofundamento de conhecimentos; eles são capazes de atuar em todos os níveis do empreendimento, tanto nas construções como nas restaurações. São aptos a prescrever metodologias executivas, para o futuro, aí incluídas as auditorias técnicas e a verificação das origens de problemas já ocorridos. Este é tido como um momento histórico para a Engenharia Civil.


Ponsi Consultoria em Obras Inteligentes
¹Mário Galvão

Engenheiro Civil, mestre em Desenho, Gestão e Direção de Projetos pela Fundação Ibero Americana – FUNIBER. MBA em Construções Sustentáveis pela Universidade Cidade de São Paulo – UNICID, Gerenciamento de Projetos pela University of Califórnia, Irvine – EUA, em Gerenciamento de Projeto pela Fundação Getúlio Vargas – FGV; Engenharia Diagnóstica pelo Instituto Brasileiro de Educação Continuada – INBEC. Além de Diretor Técnico da PONSI, atua como Engenheiro da VECTOR FOILTEC, multinacional alemã, e auditor da Qualidade em Sistema de Gestão Ambiental – SGA e Sistema de Gestão de Qualidade – SGQ. Membro da GBC Brasil (Green Building Council) e do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Distrito Federal – IBAPE/DF.

e-Book Gestão das Manutenções em Condomínios

quinta-feira, 29 de março de 2018


Este guia pretende informar, esclarecer dúvidas e servir como base para que seja possível adotar o melhor procedimento com relação às questões técnicas envolvidas nos serviços de manutenção do seu prédio.

A Ponsi Consultoria disponibiliza gratuitamente este manual para transmitir aos síndicos e administradores condominiais informações sobre gestão das manutenções em condomínios residenciais, estabelecendo as condições de segurança e garantia das edificações.

Inspeção Predial, Manutenções e Seus Impactos no Valor da Edificação

segunda-feira, 5 de março de 2018


Ter um imóvel se assemelha cada dia mais a ter um automóvel: você recebe um manual que lhe obriga a fazer todas as revisões preventivas, sob pena de perder as garantias. Dessa forma, seu carro vai durar mais, não vai deixá-lo no meio da rua e será valorizado no momento da revenda.

O imóvel, assim como o carro, necessita de inspeções periódicas para a manutenção regular, a fim de ter sua integridade garantida, maior segurança, funcionalidade, economia e a consequente valorização do bem.

Por quê realizar a Inspeção Predial?

Os sistemas construtivos de um edifício, como por exemplo o sistema de água, necessitam de cuidados, para se evitar prejuízos financeiros, problemas legais, perda de desempenho ou desvalorização do imóvel. Os problemas precisam ser detectados em inspeções periódicas, conforme sugerem o bom-senso, as normas e legislação vigente.

Desabamentos de prédios, coberturas, varandas, garagens, marquises, incêndios causados por sistema elétrico deficiente e outras tragédias na história dos edifícios brasileiros chamam a atenção para a urgência do diagnóstico das edificações.

A maioria destes acidentes ocorre nos edifícios em uso, com mais de vinte anos de construídos.

Tendo os prédios de Brasília como exemplo, os mesmos já completaram, em sua maioria, quarenta anos, foram erguidos a toque de caixa e com materiais ainda sem uma rigorosa inspeção de qualidade e, em geral, não possuem histórico de reformas.

A totalidade das tragédias ocorre em edifícios que não passam por inspeções prediais e manutenção preventiva, sujeitos assim à deterioração acentuada. Observa-se que a incidência destes acidentes ocorre em edifícios geridos por pessoas desprovidas de conhecimento ou sem apoio técnico. Cerca de um terço dos acidentes é causado por problemas na construção.

Como dever ser contratada e realizada uma Inspeção Predial?

A Inspeção Predial segue a Norma do Instituto Brasileiro de Perícias, Ibape, até que a norma da ABNT seja publicada, e apresenta conceitos e critérios para a realização da inspeção em si e para a realização do laudo.

Deverá haver a classificação das deficiências que são constatadas, indica o grau de risco em cada uma das deficiências, e produz um rol de prioridades técnicas de manutenção e correção das deficiências.
Ela faz a análise das condições técnicas do condomínio ou edifício, verificando-as isoladamente ou como sistema. Ela vai indicar o melhor uso e a melhor manutenção.

São averiguados os problemas mais críticos que necessitam de reparos imediatos, mas também pequenas avarias que podem progredir e gerar defeitos maiores. A Inspeção checa a estrutura da edificação, as instalações elétricas e as hidráulicas, os elevadores, a impermeabilização, a situação dos revestimentos internos e externos, exaustores, esquadrias, sistema de combate a incêndio e proteção contra descargas elétricas, coberturas, telhados, ventilação, climatização, entre outros itens específicos de cada construção. Deve ser realizada periodicamente conforme a idade do edifício, onde a frequência diminui conforme a idade aumenta, sendo a melhor época o início do ano.


Curso: A Importância das Inspeções Prediais e a Responsabilidade Civil dos Seus Gestores

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Curso - Vagas limitadas - Inscreva-se!

Curso: "A Importância das Inspeções Prediais e a Responsabilidade Civil dos Seus Gestores"

Destinado à profissionais de Engenharia, Arquitetura, Direito, Administração, gestores de condomínios e síndicos, o curso aborda questões importantes da consultoria técnica e aponta aspectos jurídicos relacionados ao processo.

O pleno exercício da parte técnica de engenharia deve apontar falhas construtivas da edificação, falhas funcionais (ou de manutenção) em confluência com o processo judicial e/ou extrajudicial. O resultado desse trabalho conjunto visa resguardar o síndico, garantir os direitos dos proprietários e preservar a solidez da construção.

Estes são os principais tópicos explorados pelos especialistas durante o curso.

Data: 06/04/2018

Local: Auditório do Crea – SGAS Quadra 901, Conjunto D, Asa-Sul, Brasília-DF

Inscrição / Comprar

Cupão de desconto: Estudantes e Associados da Assosindicos tem 50% de desconto. basta usar o código assosindico ao fazer o pagamento.

Obs.: o desconto é válido somente mediante comprovação no dia do evento.

Com palestrantes especialistas: Dr. Anderson Machado, Consultor Jurídico Condominial e Mário Galvão, Engenheiro Civil.

Convidados Especiais: Flávio de Queiroz Costa, Engenheiro Civil, Mestre em Engenharia Civil pela UFPE – Universidade Federal de Pernambuco e Li Chong Lee Bacelar de Castro, Engenheiro Civil, Doutor em Estruturas e Construção Civil.

Público alvo: Arquitetos, Engenheiros, Administradores, Advogados, Técnicos, Síndicos, Corretores de Seguro, Corretores de Imóveis, demais interessados no assunto.

CURSO: A Importância das Inspeções Prediais e a Responsabilidade Civil dos Seus Gestores
Organização: Assosindicos-DF

Apoio: ASBRACO, CAU/DF, CBIC, CREA-DF, FIBRA, IBAPE-DF, Helio Instituto de Beleza, INBEC Pós-Graduação, SENGE/DF, SINDUSCON-DF e OAB-DF

INSCREVA-SE

ABNT/CB-002 segue com os trabalhos de atualização da NBR 13752

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018


A Comissão de Estudo de Perícias de Engenharia na Construção Civil (CE-002:134.003), que pertence ao Comitê Brasileiro da Construção Civil (ABNT/CB-002) reuniu-se no último dia 7, no auditório da sede do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (Ibape).  O grupo segue com as tarefas de atualização do texto-base do projeto de revisão da norma ABNT NBR 13752:1996 - Perícias de Engenharia na Construção Civil.

Sob o comando do secretário Octávio Galvão Neto, substituindo o coordenador Frederico Correia Lima Coelho que não pode comparecer devido à compromissos, a turma discutiu pontos importantes como a inserção de parte do texto da norma de perícia do IBAPE como referência à norma NBR 13752.

Além dos ajustes do texto do IBAPE para aderência à Diretiva 2 da norma de perícia, foi discutido outro tópicos importante durante o encontro: as referências normativas.

Segundo Dr. Mario Galvão, Engenheiro Civil membro do IBAPE-DF, a comissão está cumprindo o cronograma conforme o planejado. Ronaldo Sá de São Paulo destaca a definição de que irão adotar a literatura dos manuais do IBAPE como referência.


O próximo encontro está marcado para 14 de março.

Saiba mais: https://www.ponsiconsultoria.com.br/2017/10/comissao-de-estudo-de-pericias-de-de-engenharia-na-construcao-civil-inicia-trabalhos-de-atualizacao-da-nbr13752.html

Para informações, entre em contato com o ABNT/CB-002 (cb002@sindusconsp.com.br)

Da redação por Emerson Tormann

Hora de planejar e prevenir acidentes

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Obras de recuperação do Bloco C da SQN 210

Estamos recém iniciando o ano e já tivemos alguns alertas indicando que não devemos adiar as manutenções prediais. O assunto é sério e o risco aumenta na medida em que o tempo vai passando. A negligência e a sensação de que as construções vão durar para sempre só pioram o quadro.

É pensando nisso que insistentemente técnicos, engenheiros, arquitetos, órgãos e entidades ligadas à fiscalização de obras recomendam vistoriar as edificações periodicamente. São pequenas atitudes colocadas em prática através de um planejamento anual de inspeção predial que vão identificar possíveis falhas. Após o diagnóstico é possível determinar o grau de risco e a urgência com a qual deve-se reabilitar os sistemas danificados ou com alguma inconformidade.

Muitos síndicos e administradores condominiais reclamam da fiscalização executada pela Administração Regional, órgãos públicos e conselho de engenharia. Consideram um abuso quando há notificação de irregularidades e aplicação de multas em casos de reincidência ou não cumprimento das ocorrências. De fato, nada disso seria necessário se as manutenções periódicas estivessem em dia e os relatórios de vistoria atualizados conforme a legislação e as normas vigentes.

É muito comum as pessoas cuidarem de seus automóveis, fazendo revisões anuais e levando o veículo no mecânico de sua confiança. Consideram isso, inclusive um investimento e a garantia de rodar em segurança. Mas o mesmo não ocorre com seu imóvel, em especial quando este imóvel está situado em um condomínio.

Nos últimos anos, temos acompanhado notícias de acidentes diversos no Plano Piloto. São incêndios, alagamentos, explosões de gás, choques elétricos, desabamentos. E tudo isso só aconteceu porquê alguma coisa não ia bem: ou os hidrantes dos condomínios estavam inoperantes, sistema hidrossanitário entupido, as tubulações de gás tinham vazamento, o aterramento do sistema elétrico ineficiente ou a edificação com muitas trincas e infiltrações.

Todos estes acontecimentos poderiam ser evitados se os síndicos estivessem dispostos a promover a inspeção periódica e a manutenção predial em seus condomínios. O Distrito Federal não tem uma lei que obriga vistorias constantes em prédios. Mas nem por isso vamos correr o risco de deixar tudo deteriorando e esperar que desabe para providenciar o reparo.

Depois do acidente e do piso que cedeu e esmagou 27 carros na garagem do Bloco C da SQN 210 ficou o alerta sobre a importância das vistorias nas edificações. Também, depois de uma análise, verificou-se que há riscos de desabamentos em outros prédios do Plano Piloto o que redobra a necessidade de contratar um especialista para avaliar os fatores que podem causar danos ao patrimônio e aos moradores.

Ao cuidar do seu condomínio o síndico evita acidentes e enormes prejuízos. Mesmo que o seguro cubra todos os danos materiais, ainda haverá desperdício financeiro e um enorme desgaste pessoal. Após o desabamento da 210 norte, moradores do Bloco C ficaram sem gás e sem banheiro e tiveram que reforçar a segurança para garantir que nenhum outro incidente aconteça. Além disso, as obras de recuperação do estacionamento tem incomodado a vizinhança à noite pois o barulho dos reparos ocorreram até por volta da meia-noite.

Pensando em minimizar todo esse transtorno, a ASSOSINDICOS DF está organizando um mutirão de vistorias, começando pela Quadra 210 Norte. A síndica profissional Doani Batistussi foi a primeira a procurar a Associação de Síndicos, a qual ela faz parte como associada, e propôs uma ação conjunta entre todos os blocos da quadra.

A Assosindicos buscou o apoio de profissionais e do CREA-DF para orientar todos os síndicos interessados em revisar seus condomínios. A síndica Doani conta com a assessoria do Dr. Mário Galvão em um dos condomínios administrados por ela e sugeriu que o engenheiro acompanhasse os trabalhos do mutirão. As atividades terão início nesta semana e vão identificar os principais problemas dos prédios da quadra.

A Presidente do CREA-DF Fátima Có ressalta que o trabalho realizado pelos fiscais do CREA-DF é para proteger e não para punir os condomínios.

Os síndicos interessados em participar do mutirão devem entrar em contato com a Associação pelo endereço eletrônico mail@assosindicosdf.com.br ou através da página de contato.

Reuso de água, a melhor solução para a crise hídrica

Por Mário Galvão¹

A crise das águas

Os síndicos de condomínios, em sua totalidade, estão cientes de que a água é um recurso a cada dia mais raro, e mais caro. Sobretudo em lugares como Brasília, cidade que já nasceu sob um desafio hídrico, e que está vivendo uma crise sem precedentes.

A Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do DF, Adasa, acaba de fazer uma previsão de que o racionamento de água deve ser mantido pelo menos até meados deste ano de 2018. Mas o que podemos perceber nas suas previsões é uma possibilidade do aumento de racionamento de água para dois dias semanais. Esse é o cenário mais pessimista levantado pela Companhia.

O cenário mais otimista prevê um preenchimento de até 71% do reservatório Descoberto em abril, porém o ritmo das chuvas teria de aumentar vinte por cento em relação à média histórica. Mas, mesmo nesse caso, não há uma previsão de que o racionamento seja suspenso. Todos os dados confirmam a continuidade da crise hídrica. O Descoberto é o maior reservatório do DF, abastece cerca de dois terços da nossa população. O Santa Maria, segundo maior, registrou crescimento tímido nesta estação chuvosa. O fim do racionamento depende não apenas das chuvas, como da conclusão das obras da barragem Corumbá IV.

Os cuidados dos síndicos

Diante disso, os síndicos se deparam com o dever de planejar e executar alternativas, sendo as mais recomendadas: o reuso da água, o aproveitamento de águas da chuva, e a educação para o uso da água.

Os síndicos conscientes sabem que precisam contar com profissionais capacitados para projetar e construir sistemas e encontrar soluções que estejam dentro das regras estabelecidas pelos órgãos legais, e adequados à realidade do edifício ou condomínio. É preciso estar atentos a promessas de soluções irregulares ou ilegais. Elas podem trazer imenso prejuízo ao edifício, ao condomínio e ao próprio síndico.

Por exemplo: desde 31 de outubro de 2016 não é permitida a perfuração de poços artesianos, poços profundos, nem cisternas. Isso será mantido pelo menos enquanto durar a crise hídrica, anunciou recentemente a Adasa; e de acordo com as políticas ambientais, cada vez mais rigorosas. As penalidades para o caso de descumprimento são pesadas, incluindo a interrupção de sistemas ou o embargo de entidades. A fiscalização tem sido intensa. Até outubro de 2017 foram lavrados 107 autos de infração pelo uso irregular da água, com multas proporcionais. Há um canal para receber denúncias, que chegam à Ouvidoria da Adasa.

O reuso das águas

O reuso da água tem sido um dos temas mais relevantes nas políticas ambientais, e em pesquisas de desenvolvimento de novas tecnologias. Os efluentes tratados podem ser usados tanto para fins potáveis como para fins não potáveis. No primeiro caso, os riscos são maiores, pois se associam à possibilidade da presença de organismos inadequados, que podem tornar um projeto inviável pelo alto custo do tratamento da água. Assim, o uso para não potáveis tem sido a primeira opção para os especialistas contratados pelos síndicos de condomínios.

A resolução n° 54, artigo 3°, de 28 de novembro de 2005, do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, CNRH, determina que a água de reuso pode ser aplicada para fins urbanos, para fins agrícolas e florestais, para fins ambientais, industriais e para a aquicultura. No caso que nos interessa, o uso urbano, a resolução especifica aplicações como a irrigação paisagística, a lavagem de logradouros públicos e de veículos, a construção civil, edificações, o combate a incêndios dentro da área urbana, entre outros.

O artigo 3° determina, ainda, que as diretrizes, os critérios e os parâmetros específicos para cada modalidade de reuso deverão ser determinados pelas instituições competentes. Esse cuidado se deve ao fato de que os sistemas não adequados de reuso da água podem provocar a contaminação do meio-ambiente, trazer riscos à saúde das pessoas, podem causar o esgotamento dos recursos hídricos e, ainda, acarretar prejuízos à atividade econômica.

O que é água cinza?

O mais indicado reaproveitamento da água, além do reuso da água da chuva, tem sido o reuso da água cinza, em edifícios e condomínios. A água cinza é aquela que provém dos chuveiros de banho humano, das máquinas de lavar roupa, dos lavatórios de banheiro, que não entrou em contato com as águas negras, assim chamadas as contaminadas por dejetos humanos e as águas da cozinha.

Caso haja no prédio ou condomínio algum sistema com intenso uso hídrico, o reuso da água cinza é certamente indicado, e traz benefícios importantes, como a economia na conta mensal, segurança para os moradores no caso de ocorrer novamente uma forte crise hídrica, além de representar uma solução sustentável para a preservação dos recursos de nosso meio ambiente.

Mas a água cinza necessita de tratamento, pois pode conter elementos prejudiciais, como oleosidades, suor, químicos de sabão, amaciantes, etc. Poderá ser usada para fins não potáveis, como limpeza de pisos e paredes, irrigação de jardins se não houver cloro ou alvejante, limpeza de veículos na primeira lavagem, descargas de vasos sanitários, reutilização na máquina de lavar para lavagem de tecidos rudes, etc.

Dentro dos apartamentos, geralmente não é viável o reuso da água cinza, pois teria de ser feita uma tubulação separada para as águas negras e cinzas, o que torna o investimento alto. O engenheiro competente poderá dizer quais as soluções mais indicadas, às vezes soluções simples, como, por exemplo, a coleta da água da máquina de lavar – a NBR 13969 de 1997 determina que essa água pode ser reutilizada para descargas em vasos sanitários, passando por uma desinfecção simples.

Se o seu condomínio ou edifício conta com um sistema de chuveiros coletivos, lavanderia coletiva, ou outros sistemas que façam uso de uma grande quantidade de água, o engenheiro competente poderá detectar e criar um sistema de reuso mais complexo, que faça a interligação com o sistema hidráulico dessas atividades. Importante é que seja um sistema independente do abastecimento de água potável e de esgoto. Os pontos de saída de água reutilizada devem ser sinalizados e identificados, assim como os pontos de saída de águas pluviais. Os funcionários do condomínio que tenham contato com o sistema devem ser instruídos quanto ao manejo do sistema.

As águas pluviais

A preciosa água da chuva pode ser captada e reutilizada para diversas finalidades. Já vemos muitos edifícios e condomínios com uma estrutura que realiza a captação e o armazenamento das águas pluviais. Não faz mais sentido simplesmente deixar que ela seja escoada nos ralos e córregos. Ela pode ser usada na limpeza do prédio, por exemplo, significando uma redução na conta de água. No entanto, o projeto deverá cumprir a norma da ABNT NBR 15527 de 2007, que determina diretrizes quanto aos parâmetros de água da chuva.

Para que não cometam nenhum erro, os síndicos precisam ser bem assessorados ao fazer o uso das águas pluviais nas coberturas de edifícios, de forma a atender a norma na íntegra. Assim, as águas recolhidas nas coberturas podem ser utilizadas, após armazenamento e tratamento adequados, para irrigação de jardins, limpeza de calçadas, paredes, revestimentos, ruas, carros, pátios, ou podem formar espelhos d’água, servir para descargas sanitárias, etc.

Como é um sistema de reuso?

Um projeto de reuso de águas realizado por um especialista será como uma Estação de Tratamento de Água de Reuso, Etar, em forma compacta. Funciona com coletores, um sistema de tubulações para transporte dos efluentes ao reservatório, o sistema de tratamento e o de redistribuição para os locais de reuso das águas. O tratamento varia de acordo com a utilização que vai se dar à água; também depende do espaço disponível para a instalação do sistema, do volume a ser tratado, entre outros dados. É preciso haver orientação especializada, para analisar as condições do condomínio ou do prédio, levantar os custos, a viabilidade e os benefícios.

A legislação do reuso das águas

Ainda não contamos com legislação e normatização específicas para o reuso das águas, e a solução tem sido adotar padrões internacionais, ou orientações técnicas produzidas por instituições privadas, o que dificulta o trabalho dos profissionais dessa área. E essa é uma questão candente, pois, se temos 13,7% dos recursos hídricos do planeta, uma significativa parcela, na realidade 70% estão na região amazônica, e apenas 30% se distribuem pelo restante do país. Não temos tanta água quanto imaginamos.

O desafio mundial

Vivemos num mundo em que há cerca de 780 milhões de pessoas sem acesso à água, e um relatório da Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, intitulado “Fatos e dados”, publicado em 2012, prevê um aumento constante de pessoas sem acesso à água, levando-se em conta as mudanças nos hábitos, decorrentes do crescimento econômico, a industrialização, o aumento do poder aquisitivo dos indivíduos, e um crescimento da demanda de alimentos na ordem de 70% até 2050. Ou seja, a pressão sobre os recursos hídricos está crescendo no mundo inteiro. Cada vez mais, os síndicos são chamados por essa realidade.

¹Mário Galvão é Engenheiro Civil, membro da GBC Brasil (Green Building Council) e do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Distrito Federal – IBAPE/DF.
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