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Não podemos deixar de falar de ÉTICA

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Engenheiro Mário Galvão, M.Sc.


Todo profissional detém, através da Ética, seu reconhecimento profissional. Nós, Engenheiros, somos responsáveis pelas habitações, cidades, produção de alimentos, segurança, sustentabilidade ambiental, etc. Temos responsabilidade social e não podemos aceitar profissionais oferecendo, de má-fé, orientação, proposta, prescrição técnica ou qualquer ato profissional que possa resultar em danos à saúde humana, aos seus bens patrimoniais, ao ambiente natural ou ao patrimônio cultural – atividade vedada pelo nosso CÓDIGO DE ÉTICA.

Devemos atuar com imparcialidade e impessoalidade em atos arbitrais e periciais e, no desempenho de qualquer trabalho – dentro dos limites das atribuições e qualificações pessoais –, fornecer informação correta, precisa e objetiva, dando o direito de escolha ao destinatário dos serviços e ofertando-lhe, sempre que possível, alternativas viáveis e adequadas às suas demandas.

Além disso, devemos alertar sobre os riscos e responsabilidades relativos às prescrições técnicas e às consequências presumíveis de sua inobservância, adequando nossa linguagem técnica às necessidades do cliente e às normas vigentes aplicáveis.

É importante que nós, profissionais da engenharia, tenhamos consciência e informemos à sociedade que o exercício da profissão é exclusiva aos profissionais que se enquadram na Lei nº 5.194/66, e que estes profissionais têm a liberdade de escolha dos métodos e procedimentos a serem realizados por ele. Isso trará remuneração justa e proporcional à capacidade, dedicação e graus de complexidade, risco, experiência e especialização requeridos na sua tarefa, além do reconhecimento legal de nossa profissão e do reconhecimento pela sociedade.

As recentes tragédias demonstram, na maioria das vezes, que alguns profissionais não observam as normas e legislações vigentes, a responsabilidade social, o meio ambiente e o nosso CÓDIGO DE ÉTICA.

Um exemplo clássico são os profissionais com total desconhecimento das Normas Técnicas ABNT NBR 13.755/2017 e 13.749/2013 e que oferecem o seguinte serviço:

ESCOPO DA PROPOSTA: LAUDO TÉCNICO CIRCUNSTANCIAL (BATE-FOFO) DE FACHADA.
O famoso BATE FOFO, segundo a Norma Técnica ABNT NBR 13.749/2013, item 5.7.1, é um Ensaio Tecnológico chamado Teste de Percussão, onde avalia a aderência dos revestimentos, mas não identifica o AGENTE CAUSADOR da MANIFESTAÇÃO PATOLÓGICA.
LAUDO é a peça na qual o profissional habilitado relata o que observou e apresenta as suas conclusões ou avalia, fundamentadamente, o valor de coisas ou direitos, ou seja, Ensaios Tecnológicos fazem parte do LAUDO.

Destaco ainda a Lei Federal nº 5.194/1966 que regulamenta o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro-Agrônomo e a Resolução nº 1.090, de 3 de maio de 2017 do CONFEA, que fixa as definições e os procedimentos necessários à condução do processo de cancelamento do registro profissional pela prática de má conduta pública, escândalos e crimes infamantes, bem como os procedimentos para requerimento de reabilitação do profissional.

O Art. 6º da Lei Federal nº 5.194/1966, estabelece que exerce ilegalmente a profissão de engenheiro, arquiteto ou engenheiro-agrônomo:

a) a pessoa física ou jurídica que realizar atos ou prestar serviços público ou privado reservados aos profissionais de que trata esta lei e que não possua registro nos Conselhos Regionais;
b) o profissional que se incumbir de atividades estranhas às atribuições discriminadas em seu registro;
c) o profissional que emprestar seu nome a pessoas, firmas, organizações ou empresas executoras de obras e serviços sem sua real participação nos trabalhos delas;
d) o profissional que, suspenso de seu exercício, continue em atividade;
e) a firma, organização ou sociedade que, na qualidade de pessoa jurídica, exercer atribuições reservadas aos profissionais da engenharia, da arquitetura e da agronomia, com infringência do disposto no parágrafo único do art. 8º desta lei.

Segundo o art. 3º da Resolução nº 1.090/2017 do CONFEA, são enquadráveis como má conduta ou escândalos passíveis de cancelamento do registro profissional, entre outros, os seguintes atos e comportamentos:

I - Incidir em erro técnico grave por negligência, imperícia ou imprudência, causando danos;

II - Manter no exercício da profissão conduta incompatível com a honra, a dignidade e a boa imagem da profissão;

III - Fazer falsa prova de qualquer dos requisitos para o registro no Crea;

IV - Falsificar ou adulterar documento público emitido ou registrado pelo Crea para obter vantagem indevida para si ou para outrem;

V - Usar das prerrogativas de cargo, emprego ou função pública ou privada para obter vantagens indevidas para si ou para outrem;

VI - Ter sido condenado por Tribunal de Contas ou pelo Poder Judiciário por prática de ato de improbidade administrativa enquanto no exercício de emprego, cargo ou função pública ou privada, caso concorra para o ilícito praticado por agente público ou, tendo conhecimento de sua origem ilícita, dele se beneficie no exercício de atividades que exijam conhecimentos de engenharia, de agronomia, de geologia, de geografia ou de meteorologia;

VII - Ter sido penalizado com duas censuras públicas, em processos transitados em julgado, nos últimos cinco anos.

A sociedade tem que parar de achar que Engenharia é um tema de domínio geral. Não é. Engenharia é para Engenheiros!

Não são poucos os casos que uma Assembleia de condomínio decide postergar as intervenções de engenharia supondo-se que não há risco e, portanto, decidindo por não contratar um especialista qualificado em Patologia das Estruturas porque consideram o trabalho "caro", ou decidindo não contratar uma empresa especializada em recuperação estrutural porque “tem quem faça mais barato.”

Que economia é essa que coloca em risco a vida de centenas de pessoas e destrói em segundos o patrimônio construído ao longo de toda uma vida?

Com segurança não se brinca! Não há outra palavra para se definir tal conduta, que não seja irresponsabilidade!

Os resultados, infelizmente, são os que temos presenciado a partir dos mais trágicos acidentes ocorridos recentemente, não só no Brasil. Vidas perdidas, famílias destroçadas, poder público sendo colocado em xeque e patrimônios desfeitos em um piscar de olhos.

Desabamento do Edifico Andréa, ocorrido em Fortaleza - CE, no dia 15 de outubro de 2019.
Foto: Gustavo Pellizzon/Diário do Nordeste/AFP.
Disponível em: <https://www.otempo.com.br/brasil/desabamento-em-fortaleza-deixa-duas-pessoas-mortas-9-estao-desaparecidas-1.2249724>. Acesso em: 30 out. 2019.


Quando você está doente e sente dor, o caminho coerente a ser seguido é procurar um médico, de preferência um especialista na área, visando identificar o mal que lhe acomete. Você não procurará um veterinário, um curandeiro ou outro profissional para cuidar da sua saúde, por entender que é mais barato ou que possa dar um jeito no problema temporariamente?

Por que será que as pessoas não reclamam tanto da conta paga em um bom restaurante, dos gastos com a saúde do seu PET e com os valores investidos na última versão do seu celular preferível? Mas na hora de contratar um profissional especializado para cuidar do seu maior bem, escolhe um profissional “meia boca, sem formação técnica para tal, visando baratear a manutenção da sua edificação.

Por esta razão, a Engenharia tem que ser feita por Engenheiros que estudaram anos a fio para se qualificarem para o exercício de tão nobre missão, e que têm a exata noção das suas obrigações profissionais e responsabilidades perante o cliente e à sociedade.

É preciso refletir sobre o assunto! A sociedade brasileira necessita rever os seus conceitos em relação aos cuidados que se deve ter com os seus maiores bens: a vida e a propriedade.

Engenheiro Mário Galvão
Engenheiro Civil
Mestre em Gerenciamento de Projetos
MBA em Construções Sustentáveis
Especialista em Fachadas e Engenharia Diagnóstica

A importância das manutenções prediais no âmbito do judiciário

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

*Engenheiro Mário Galvão, M.Sc.





Ao longo de minha experiência como Engenheiro Civil Especialista em Engenharia Diagnóstica, tenho observado inúmeros casos judiciais envolvendo falhas e até ausência de manutenções prediais.

Apesar das diversas normas que regulam a inspeção predial em condomínios no Brasil, e da legislação que obriga os condomínios a realizarem rotinas de inspeção e manutenção, ainda é comum verificarmos acidentes decorrentes de negligência, tanto de profissionais da engenharia, quanto de gestores e proprietários.

Um imóvel é planejado e construído para atender seus usuários por muito tempo. Para que esta expectativa seja concretizada, torna-se primordial a prática constante da manutenção preventiva deste bem.

Quando um novo empreendimento é entregue, seu processo construtivo não termina, portanto, é de extrema importância que as edificações tenham um plano de manutenção predial adequado para que sua vida útil seja prolongada.

Além da desvalorização e diminuição da vida útil, a falta de manutenção predial pode resultar em problemas sérios, que vão desde o comprometimento da eficácia das instalações elétricas, perda de garantias e até graves acidentes, como o risco de choques elétricos ou mesmo o desabamento de parte ou do todo de uma construção.

Uma simples falta de manutenção em um playground, por exemplo, pode vir a causar um acidente grave, com consequências legais para o responsável.

Além das Normas Técnicas relativas ao tema, como a ABNT NBR 14.037 (elaboração de manual), ABNT NBR 5.674 (manutenção de edificações), ABNT NBR 16.280 (reforma em edificações), ABNT NBR 15.575 (norma de desempenho) e outras que tratam de inspeções e manutenções de sistemas específicos, o Novo Código Civil, o Código de Defesa do Consumidor e até o Código Penal preveem a responsabilização por negligência.


Norma não é lei. Mas por força da lei é obrigatória.

Embora as Normas Técnicas elaboradas por entidades da sociedade civil, como a ABNT, não tenham força de Lei, já é recorrente a busca por produtos e serviços que seguem rigorosamente tais Normas como forma de garantia e segurança.

O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8078, de 11.09.1990, Regulamentada pelo Decreto 861, de 09.07.1993), na Seção IV, que trata das Práticas Abusivas, e seu Artigo 39, que no inciso VIII estabelece:

“É vedado ao fornecedor de produtos e serviços colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, ou outra Entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – CONMETRO.”

No caso das garantias, estas também somente serão válidas caso sejam executadas manutenções preventivas durante sua vigência e de acordo com as orientações contratuais e explícitas em manual próprio.


Responsabilidade civil e criminal

O síndico responde civil e criminalmente quando por meio de uma ação ou omissão causar danos a terceiros.

Sendo o responsável legal pelo condomínio, é seu dever manter e conservar o patrimônio comum, cumprindo as exigências normativas e legais.

Se o síndico não der a devida atenção e importância à manutenção das áreas comuns do condomínio, bem como exigir o procedimento legal em relação às reformas das áreas privativas, pode colocar em risco patrimônios e vidas alheias.

A atuação negligente (deixar de fazer), imperita (fazer sem o devido acompanhamento técnico) ou imprudente (fazer de qualquer jeito) do síndico pode levá-lo a responder criminalmente de forma culposa em crimes que acarretem danos, lesão corporal ou até mesmo a morte de condôminos causada por acidentes como a queda de um elevador por falta de manutenção, por exemplo.

Porém, qualquer ator além do síndico pode ser responsabilizado numa ação judicial, incluindo o morador que não buscou ou rejeitou as normas de reforma, por exemplo, e estas impactem na conservação ou causem danos ás áreas comuns.

Tem sido também cada vez mais recorrente casos de condôminos que entram na justiça contra o próprio condomínio por riscos de acidentes ou desvalorização do imóvel decorrentes da falta de manutenção. Já existe, inclusive, jurisprudência em ações acumuladas com danos morais quando comprovada a deterioração e a desvalorização do imóvel por falta de manutenção obrigatória.

Portanto, não existe mais espaço para amadorismo ou negligência: para que o síndico e/ou gestor tenha mais segurança, ele deve se cercar de profissionais habilitados, como um Administrador, um Engenheiro e um Advogado especialista em Direito Imobiliário e Condominial.

  
Cultura da não manutenção

Quando se fala em imóveis, poucos são os usuários que realizam a manutenção preventiva tão adequadamente quanto o fazem para outros bens, como automóveis e equipamentos eletrônicos. E raramente os condôminos ou mesmo os proprietários de imóveis têm conhecimento das exigências e da importância das manutenções prediais.

“Atividades de manutenção ainda são vistas como um problema financeiro de baixa prioridade, enquanto deveriam ser consideradas como um investimento, retardando o envelhecimento e agregando valor ao produto imobiliário.” (CREA-PR, 2011)

Na maioria das vezes, somente quando uma petição jurídica envolvendo o sistema construtivo é iniciada é que as partes passam a reconhecer tardiamente a negligência.

Devido ao crescente mercado imobiliário, em especial os condomínios, a figura do gestor vem ganhando espaço e o debate acerca das manutenções é cada vez mais emergente.

A inspeção predial tem que ser compreendida por todos como uma ferramenta de gestão que promove segurança física, administrativa e jurídica, tanto para o síndico/gestor, quanto para os usuários. Portanto, a ampla divulgação desse tema é de extrema importância para que isso aconteça.

A prevenção ainda é a melhor solução e pode evitar processos jurídicos intermináveis.



*Engenheiro Mário Galvão
Engenheiro Civil
Mestre em Gerenciamento de Projetos
MBA em Construções Sustentáveis
Especialista em Fachadas e Engenharia Diagnóstica


A Engenharia e o Direito de mãos dadas

sexta-feira, 4 de outubro de 2019


A importância do perito e do assistente técnico na lide judicial
Engenheiro Mário Galvão, M.Sc.


Conflitos de interesses são comuns na área da construção civil, em especial na área Condominial.

Processos envolvendo ações de anomalias construtivas, por exemplo, requerem, além de uma defesa jurídica, uma defesa técnica de engenharia que aponte as verdadeiras causas e os responsáveis.

Nem todas as anomalias são causadas por vícios construtivos. A maioria delas decorrem da irregularidade de uso e/ou ausência de manutenção.

Segundo pesquisa IBAPE-SP¹:

“...66% das prováveis causas e origens dos acidentes são relacionadas à deficiência com a manutenção, perda precoce de desempenho e deterioração acentuada. Apenas 34% dos acidentes possuem causa e origem relacionadas aos chamados vícios construtivos, ou ainda, anomalias originárias da própria edificação.”

¹ XV COBREAP: Congresso Brasileiro de Avaliações e Perícia de Engenharia, realizado no ano de 2009, em São Paulo (SP).
                                                    


Fonte: IBAPE-SP

Alguns advogados, ao receberem uma petição inicial com ação de problemas construtivos, elaboram sua defesa jurídica a partir de uma leitura leiga dos pareceres técnicos juntados ao processo. E assim, a distância que se estabelece entre a Engenharia e o Direito pode comprometer o resultado daquele trabalho.
Portanto, a união da linha de defesa técnica com uma linha de defesa jurídica é um ponto crucial para o êxito da lide.

PERITO E ASSISTENTE TÉCNICO

Quando há uma demanda judicial envolvendo os sistemas construtivos de uma edificação, é comum que o juiz que esteja analisando a causa considere necessária a realização de uma perícia técnica para que ele tenha melhores condições de fazer o juízo daquela matéria.

Nesse caso, entra em cena o Perito em Engenharia, profissional habilitado que investiga, analisa informações colhidas e apresenta conclusões sobre as condições técnicas de um imóvel, de uma máquina, ou de qualquer outro produto da engenharia.

Ao nomear nos autos o perito do juízo, o juiz abre prazo para as partes indicarem o Perito Assistente Técnico, a fim de assegurar que a matéria em causa seja amplamente apreciada nos seus aspectos técnicos.

Em trabalhos de perícias judiciais (provas), o profissional de engenharia poderá estar sob duas situações:

·         Perito Oficial – nomeado pelo Juiz;
·         Assistente Técnico – indicado por uma das partes (autor ou réu da ação).

O Art. 472 do Código de Processo Civil diz que “O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes."

Isto significa que se a inicial ou a contestação for instruída com um Laudo Prévio suficientemente elucidativo, não será necessária a nomeação de um perito judicial, reduzindo assim custos e prazos.

Neste contexto, torna-se relevante o trabalho do perito assistente técnico, profissional legalmente habilitado pelos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia, indicado e contratado pela parte para orientá-la, dar assistência aos trabalhos periciais em todas as suas fases e, quando necessário, emitir seu parecer técnico.

Atualmente, pelas regras estabelecidas pelo novo CPC, os assistentes técnicos da parte autora e da parte ré são também denominados Perito Assistente Técnico do Autor e Perito Assistente Técnico do Réu.

A diferença entre o perito e o assistente técnico é que, ao contrário do perito da justiça - e do próprio juiz - o assistente técnico não pode ser impedido por suspeição, onde são requisitos o profissional conhecer ferramentas diagnósticas.

O assistente técnico tem, dentre suas funções:
  •           Auxiliar o advogado durante todo o processo;
  •          Colaborar na formulação de quesitos;
  •          Levantar informações e fornecê-las ao Perito;
  •          Endossar o laudo do Perito ou apresentar parecer em separado.

REQUISITOS

Para ser perito judicial ou assistente técnico não é preciso ter conhecimento profundo sobre o Direito, mas é muito importante ter noção sobre o Código Civil, Disciplina Processual, o Código de Defesa do Consumidor, além das normas técnicas e regulamentadoras, dentre outras (código de obra local, legislação, etc.).

Saber a linguagem jurídica e a legislação ordinária pertinente à construção civil também são requisitos importantes, pois são o perito e o assistente técnico quem traduzem a questão técnica no laudo, de forma que tanto o juiz quanto os advogados das partes do processo entendam exatamente o que está acontecendo.

O laudo técnico orienta a decisão de um juiz numa ação judicial, porém, os peritos e assistentes técnicos nada decidem, apenas fornecem elementos técnicos e subsídios para que o magistrado decida. Devem trabalhar com lealdade, integridade, pontualidade e expressar suas conclusões de forma clara, objetiva e didática para que leigos possam entender.

Para ser perito judicial ou assistente técnico também não é necessário pertencer a algum conselho, instituto ou qualquer outra agremiação, pois hoje, não há qualquer órgão que regule essas funções como profissão.

Não existe um curso específico nessas áreas. O perito e o assistente precisam ter um curso superior completo na área objeto da perícia. Por exemplo, médicos realizam perícias de medicina; engenheiros, perícias de engenharia; administradores, economistas e contadores realizam perícias de cálculos financeiros e trabalhistas e assim por diante.

Conclusão

Como podemos observar, os trabalhos de perícia e assistência técnica são extremamente importantes na área da engenharia. Porém, é necessário que os profissionais designados para tais funções sejam habilitados na sua área e tenham experiência para concederem pareceres e provas que irão auxiliar a justiça.

Outro ponto a reforçar é que as partes envolvidas (síndico, advogado e engenheiro) devem sempre dialogar e interagir antes e durante o processo, pois juntas, a experiência técnica do engenheiro, a qualidade processual do advogado e a expertise do síndico, são peças fundamentais para o sucesso.

*Engenheiro Mário Galvão
Engenheiro Civil
Mestre em Gerenciamento de Projetos
MBA em Construções Sustentáveis
Especialista em Fachadas e Engenharia Diagnóstica

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COMO ESTÁ A SAÚDE DE SUA EDIFICAÇÃO?

terça-feira, 30 de julho de 2019

Engenheiro Mário Galvão*


Aprendemos desde cedo que para manter nossa saúde, precisamos periodicamente de exames clínicos e laboratoriais.

Se nos descuidamos e não fazemos um check-up preventivo, podemos nos deparar tardiamente com alguma doença já instalada.

Na Engenharia é a mesma coisa. A Engenharia Diagnóstica se assemelha metaforicamente à medicina: o “paciente”, no caso da engenharia, é a estrutura da edificação; os “exames” são os ensaios; as “doenças” são as patologias; e os “remédios” ou o “tratamento” são os materiais de recuperação. 

A Engenharia Diagnóstica em Edificações trata, então, das investigações científicas das patologias prediais, através de metodologias que possibilitem obter dados técnicos para a caracterização, análise, atestamento, apuração da causa ou prescrição do reparo para a patologia em estudo.

Ela é responsável por identificar e prevenir diferentes problemas, como fissuras, infiltrações e até incêndios.

Através dos diferentes tipos de investigações técnicas, é possível também determinar patologias, como anomalias construtivas, falhas de manutenção e irregularidades de uso. 

Outras finalidades da engenharia diagnóstica são o aprimoramento da qualidade e a apuração de responsabilidades (inclusive no âmbito judicial). Por essa razão, ela é essencial em todas as fases de desenvolvimento de uma construção.

As ferramentas de investigação técnica (FIT) mais tradicionais da Engenharia Diagnóstica proporcionam uma análise para tomada de ações proativas através de diagnósticos, prognósticos e prescrição técnica, com foco na qualidade total da edificação. São elas:

- Vistoria: Atividade de constatação de um fato, mediante exame circunstanciado e descrição minuciosa dos elementos que o constituem (ABNT NBR 13.752/1996);

- Auditoria: Atividade que envolve a obtenção de evidências (registros, fatos ou outras informações) que avalia o atendimento a determinados critérios: políticas, procedimentos, normas técnicas ou requisitos usados como referência (Adaptado da ABNT NBR ISO 19.011/2012);

- Inspeção: Diversas atividades (processos) de avaliação das condições técnicas da edificação. Fundamenta-se em atividade de anamnese e de vistoria sensorial, podendo ter o apoio de testes e verificações expeditas, apurando as causas da situação, classificação da importância das falhas, anomalias e manifestações patológicas mais significativas, assim como indicação das ações necessárias para assegurar a conservação da edificação (Adaptado da ABNT NBR de Projeto de Norma Inspeção Predial, 2016);

- Perícia: Atividade que envolve apuração das causas que motivaram determinado evento, tais como, anomalias, falhas etc. (Adaptado da ABNT NBR 13.752/1996). 

Mas apenas essas quatro ferramentas de investigação são suficientes?

Sim, se considerarmos apenas as fases do desenvolvimento intelectual de uma investigação técnica (vistoria, auditoria, inspeção e perícia).


E não, caso se entenda que há muitas respostas fornecidas diretamente pela tecnologia e informática, como levantamentos topográficos, sondagens, ensaios laboratoriais, protótipos e outras modernas tecnologias.

Da mesma forma que o médico precisa, muitas vezes, de exames laboratoriais e tecnológicos para detectar uma doença e seu grau de complexidade, a Engenharia Diagnóstica precisa de equipamentos que possam detectar com precisão patologias não visíveis.

E nesse ponto entram os Ensaios Não Destrutivos (END), que são aqueles que não alteram, de forma permanente, o material a ser analisado. Estes tipos de ensaios (detecção magnética de armadura, radar, termografia, resistividade elétrica superficial, ultrassonografia, dentre outros) são de fundamental importância no processo de investigação e determinação dos tratamentos de uma estrutura que se encontra “doente”.

Portanto, hoje, com o avanço tecnológico, além da importância da contratação de um profissional especialista para diagnosticar e prescrever a correta reabilitação do sistema construtivo, é fundamental que esse profissional habilitado disponha de equipamentos que irão auxiliar no diagnóstico mais preciso, gerando a economia que o usuário espera.


Engenharia é coisa séria. Um Engenheiro nunca pode “achar que...”. Ele deve estar seguro para apontar soluções onde são premissas: a qualidade, o preço, o prazo e a responsabilidade ética e social.

E para isso, ele deve estar em constante atualização, buscando novos conhecimentos e novas ferramentas que irão proporcionar resultados assertivos e benefícios concretos.

*Engenheiro Mário Galvão
Engenheiro Civil
Mestre em Gerenciamento de Projetos
MBA em Construções Sustentáveis
Especialista em Fachadas e Engenharia Diagnóstica

O PARECER TÉCNICO

sexta-feira, 26 de julho de 2019



Satisfação é sinônimo de bem estar, que agregado à segurança, traz tranquilidade. É assim que se deve agir, evitando que negligência de qualquer espécie torne o ambiente desfavorável. É aí onde entra o PARECER TÉCNICO. O Parecer Técnico é o resultado de todo um trabalho realizado, onde o profissional que presta assessoria técnica visualiza as condições reais das estruturas, detecta as patologias encontradas e indica os procedimentos corretos que irão trazer as soluções.

O resultado disso tudo não pode ser outro, senão, a satisfação dos clientes.

Ter uma assessoria técnica apenas, não é o suficiente para manter segura a edificação. É preciso ter a certeza de que seu empreendimento está contratando um profissional de qualidade que, reúna as habilitações necessárias e possua os equipamentos que garantam o diagnóstico correto. Além do mais, se faz necessário que esse mesmo profissional não sonegue informações para os seus clientes, pois essa omissão acarretará em maiores problemas futuros e a certeza de que o que seria gasto no presente será muito mais oneroso no futuro.

Ao estar em Brasília por ocasião do evento TERMODAN, tive a oportunidade de conhecer e entrevistar diversos profissionais da engenharia, bem com gestores empresariais e síndicos, como foi o caso da síndica Eliete Zorzin, que de forma emocionada, falou na entrevista à jornalista Simone Zerbinato sobre o seu regozijo em contratar a assessoria técnica do Engenheiro Mário Galvão para cuidar do seu empreendimento, e saber que estava cumprindo uma importante atribuição, a garantia de uma edificação segura. Deu para contemplar o seu sorriso e ver seus olhos brilharem de satisfação. Pude atestar a confiança dos síndicos na assessoria técnica e observar quão gratos estavam os síndicos, e a forma como exaltaram a qualidade, a organização e o conteúdo técnico que estavam levando para casa. “É importante ressaltar o respeito que temos por esses profissionais da engenharia”, citou o Síndico Neto do Condomínio Piazza di Itália, um dos síndicos ali presentes.



E em se tratando de respeito e de respaldo, não posso deixar de citar a presença de diversas autoridades da engenharia mecânica, da engenharia elétrica e da engenharia civil que estiveram palestrando e abrilhantando o evento.

Durante a palestra do Engenheiro Mário Galvão pode-se perceber o interesse da plateia composta por estudantes, profissionais de engenharia, arquitetura, gestores condominiais, advogados entre outros. Após o término da apresentação ficou evidente a satisfação de todos por conta dos elogios que eram feitos entre as pessoas e também nas redes sociais do evento.

Os depoimentos de profissionais e representantes de entidades confirmam e validam a qualidade do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Engenheiro Mário e seus parceiros. O Presidente em exercício do CREA DF Pedro Assad diz que é importante para toda a classe de profissionais, neste momento em que o país passa por profunda reforma, a contribuição de um profissional como Mário Galvão. “Mostrar que é possível atuar com ética e respeito ao cliente ao mesmo tempo em que entrega os serviços com transparência é imprescindível para a credibilidade do mercado de engenharia” – afirmou Assad.



O Engenheiro Civil Marcelo Galimbert, elogiou a palestra sobre termografia aplicada na detecção de vazamentos pois o assunto abre as portas para um mercado ainda inexplorado pelos profissionais no Brasil. “Acredito que a melhor forma de melhorar a qualidade dos serviços é compartilhar informações e técnicas na resolução de problemas de engenharia. E assim o Engenheiro Mário Galvão foi direto ao ponto mostrando aos presentes que é possível ser competitivo no mercado ao mesmo tempo em que cumpre prazos, com economia e ética” – completa Galimbert.

Parabéns, Mário Galvão, por aglutinar grandes profissionais, por fomentar a ética entre os profissionais da engenharia, e por apoiar eventos como o TERMODAN, que visam esclarecer aos engenheiros, gestores, síndicos, estudantes e público interessado quão importante é o uso de novas tecnologias para prevenir e trazer soluções confiáveis aos problemas que envolvem as construções.

Matéria original no Blog do Jornalista Adailson Cruz:: https://adailsoncruz.blogspot.com/2019/07/o-parecer-tecnico.html?zx=e2187957675a23f4

A ética cabe em todo lugar, inclusive na Engenharia

terça-feira, 9 de julho de 2019


Muito tem se falado de ética nos últimos tempos. Escândalos na política principalmente, têm levantado a questão dos limites éticos nas relações profissionais.

Até onde vai o limite de uma relação sem ferir a ética moral e profissional?

Acidentes como os de Brumadinho, por exemplo, expõem uma conduta que fere os princípios éticos da profissão da engenharia, colocando em risco a vida de centenas de pessoas.

Infelizmente também é comum vermos casos de explosão em condomínios por serviço mal executado ou por falta de manutenção e até mesmo mortes por descarga elétrica em local que deveria, por lei, existir aterramento adequado e atestado por um profissional capacitado.

E quando nos deparamos com esses casos, nos questionamos: até onde vai a ética do ser humano ao aceitar que serviços mal executados, falta de manutenção ou “vista grossa” coloquem em risco a vida de pessoas?

Para contextualizar essa discussão vamos ver, antes, o que é Ética por definição:

Ética é a ciência que estuda os valores morais que orientam o comportamento humano em sociedade. É um conjunto de princípios ou padrões pelos quais se pautam a conduta humana. Algumas vezes a ética é chamada de "moral", e por extensão, seu estudo frequentemente chamado de Filosofia Moral. Assim, como um ramo da Filosofia, Ética é considerada uma ciência normativa, já que trata de normas de conduta humana. Na prática, agir eticamente é agir de acordo com os preceitos da moral instituída.

A Ética é importante e necessária para o bem-estar de uma sociedade e, sendo assim, se aplica a todas as esferas, seja na educação, nos relacionamentos sociais e, muito importante, nas profissões. Agir em contradição com as normas de uma sociedade, invariavelmente resulta em conflito e muitas vezes em danos a alguma parte.

A Ética porém, não é absoluta e imutável, e suas mudanças ocorrem normalmente através da quebra do padrão anterior. E a Ciência, muitas vezes, é uma das grandes responsáveis pelas quebras desses padrões, que resultam da evolução moral de nossa sociedade.

O comportamento de uma pessoa é quase sempre ético quando ela faz o que é melhor para todos!

Ética pessoal

A Ética pessoal tem origem na família, na escola e na vida social do indivíduo. Os pais são a primeira fonte de influência comportamental, emocional e ética nos filhos. Valores como: falar sempre a verdade; ser sempre honesto; importância do trabalho; autorresponsabilidade e outros, são aprendidos principalmente nesses ambientes.

Ética profissional

A profissão é um bem social da humanidade e o profissional é o agente capaz de exercê-la, tendo como objetivos maiores a preservação e o desenvolvimento harmônico do ser humano, de seu ambiente e de seus valores.

No aspecto profissional, a Ética perpetua os princípios morais fundamentais do certo ou errado. Mas aqui, especificamente, podemos traduzi-la como a maneira pela qual o ser humano conduz o desempenho de suas funções, obedecendo aos princípios que regem a moral, o respeito, o conhecimento, o sigilo profissional e os códigos de moral e conduta que regem sua profissão.

Todo comportamento tem suas razões.
A Ética é simplesmente a razão maior.
David Hume

Ética na Engenharia

A Engenharia existe desde os mais remotos tempos. Pode-se afirmar que ela existe desde o aparecimento do homem na face da Terra.

Se a entendermos como a arte de usar a técnica para realizar aquilo que a imaginação humana concebe, verificaremos que enquanto existir a humanidade, ela estará presente.

A Engenharia, compreendida como a arte de fazer, consiste em aplicar conhecimentos científicos à criação de estruturas, processos e dispositivos, que são utilizados para converter recursos naturais em formas adequadas ao atendimento das necessidades humanas.

Nos cursos de engenharia estuda-se entre outras coisas, projetos, dimensionamentos, análises, processos e avaliação de desempenho.

Mas onde entra a ética?

Engenheiros projetam produtos e equipamentos, máquinas e equipamentos agrícolas, sistemas de tratamento de matérias primas, aplicativos de gestão. Contribuem para o avanço da sociedade com o desenvolvimento de novas tecnologias; Desenvolvem processos que, muitas vezes, modificam nossa forma de viver.

Porém, produtos e processos tem consequências na sociedade Se um sistema de irrigação não funcionar, o agricultor perde a produção; Se o alimento não for manipulado de forma correta pode acarretar riscos à saúde humana; A falta de tratamento adequado de resíduos em um processo industrial pode gerar problemas ambientais graves; Uma linha de produção não projetada corretamente pode levar a prejuízos à empresa, gerando desempregos; E uma edificação que não segue os padrões normativos de construção e manutenção pode, além de causar prejuízo econômico, expor a vida de seus usuários a sérios riscos.

Decisões tomadas por engenheiros geralmente tem sérias consequências para as pessoas e para a sociedade.

Assim, a Ética na Engenharia regula os relacionamentos entre: Engenheiro e a sociedade; Engenheiro e outros profissionais; Engenheiro e meio ambiente; Engenheiro e empregador; Engenheiros e seus clientes.

O Código de Ética do Profissional da Engenharia enuncia os fundamentos éticos e as condutas necessárias à boa e honesta prática da profissão, relacionando direitos e deveres correlatos de seus profissionais.

Estabelece que a profissão deve ser praticada através do relacionamento honesto, justo, com igualdade de tratamento entre os profissionais, com lealdade na competição e com base nos preceitos do desenvolvimento sustentável na intervenção sobre os ambientes naturais e construídos. Além disso, deve ser praticada com isenção de perigo ou danos às pessoas, seus bens e seus valores

Dentre alguns deveres do profissional de engenharia destacamos:
  • Desempenhar sua profissão ou função nos limites de suas atribuições e de sua capacidade pessoal de realização;
  • Fornecer informação certa, precisa e objetiva em publicidade e propaganda pessoal;
  • Atuar com imparcialidade e impessoalidade em atos arbitrais e periciais;
  • Alertar sobre os riscos e responsabilidades relativos às prescrições técnicas e as consequências presumíveis de sua inobservância;
  • Atuar com lealdade no mercado de trabalho, observando o princípio da igualdade de condições;
  • Manter-se informado sobre as normas que regulamentam o exercício da profissão;
  • Atender, quando da elaboração de projetos, execução de obras ou criação de novos produtos, aos princípios e recomendações de conservação de energia e de minimização dos impactos ambientais;
  • Considerar em todos os planos, projetos e serviços as diretrizes e disposições concernentes à preservação e ao desenvolvimento dos patrimônios sociocultural e ambiental.

Porém, quando acidentes de maior proporção ocorrem, como os de Mariana, Brumadinho, Ciclovia Tim Maia, no Rio de Janeiro e Plataforma 36 da Petrobras, a Ética dos profissionais envolvidos é questionada.

Foi um incidente (imprevisto), um acidente (desastre), falha de projeto, falta de fiscalização, tecnologias de risco ou falta de ética? E a responsabilidade é de quem? Da empresa ou do engenheiro?

Vemos também na área de consultoria e diagnóstico de construções preditivas muitos acidentes que poderiam ter sido evitados se os princípios éticos que regem a profissão e os relacionamentos fossem observados.

Temos ainda muito o que debater e transformar, por meio principalmente da mudança de cultura e paradigma do setor.

Conflitos de interesses nas empresas, compromisso profissional, interesse econômico, sustentabilidade, práticas questionáveis, corrupção, controle de preços e desvalorização profissional são alguns dos problemas a serem enfrentados.
Assim, um dos grandes desafios do profissional do Sistema Confea/Crea é a atuação nos limites dos princípios éticos e de responsabilidade social, buscando em cada ação, a excelência.

Engenheiro Mário Galvão
Engenheiro Civil
Mestre em Gerenciamento de Projetos
MBA em Construções Sustentáveis
Especialista em Fachadas e Engenharia Diagnóstica

A importância da termografia na manutenção preditiva

quarta-feira, 26 de junho de 2019



O que é termografia?

A termografia é uma técnica que registra imagens de calor (termogramas) não visíveis pelo olho humano, através de uma câmera termográfica.

Todo corpo - ou matéria - com temperatura acima do Zero Absoluto emite radiação térmica. E as variações térmicas de um corpo podem ser sinais de que algo não vai muito bem. A termografia vem então para ajudar na análise e diagnóstico de anomalias, por meio de registro gráfico das temperaturas do ponto ou do objeto que está sendo analisado.

O infravermelho é uma frequência eletromagnética naturalmente emitida por qualquer corpo, com intensidade proporcional a sua temperatura. Os equipamentos infravermelhos utilizados nesse tipo de inspeção transformam a radiação infravermelha – naturalmente emitida - em imagens que podem ser visualizadas em tela, mostrando a distribuição de calor no local por meio de cores, possibilitando a localização exata do ponto aquecido. Esse ponto é onde está a anomalia analisada.

Como estamos falando de variação térmica, a termografia detecta também aquelas áreas que estão com uma temperatura mais fria, abaixo da média, que também é um indicativo de problema.

A termografia vem sendo utilizada há quase 200 anos com técnicas que foram evoluindo ao longo do tempo. O primeiro termograma foi elaborado na metade dos anos de 1940, no período da Segunda Guerra Mundial, sendo utilizado como sistema de Visão Noturna.

Desde então, o uso da termografia se expandiu para diversas áreas da ciência, sendo extremamente importante na área da saúde, por exemplo.

O uso da termografia na ENGENHARIA DIAGNÓSTICA

Em muitos países a termografia infravermelha vem sendo utilizada como técnica não destrutiva para a avaliação de problemas nas edificações. Os termovisores são alguns dos equipamentos mais modernos no mercado de prestação de serviços, proporcionando precisão e economia.

Com eles, é possível verificar diversos problemas estruturais de sua edificação sem o famoso quebra quebra e com resultados na hora, através da análise dos diferentes níveis de temperatura de paredes, pisos ou tetos que podem informar locais em que o isolamento do prédio está com problemas, como por exemplo, infiltrações de água e até mesmo vazamentos na tubulação de esgoto, permitindo uma análise muito ampla de toda a estrutura em pouquíssimo tempo.



O acompanhamento em tempo real das variações de calor permite, por exemplo, que se quebre a parede ou piso exatamente onde está o vazamento, evitando aquela grande obra que era realizada antigamente apenas para procurar e resolver um problema menor.

Com base ainda nessa análise, torna-se possível também indicar com antecedência eventuais defeitos ou falhas estruturais que podem resultar em problemas maiores no futuro. E a partir disso, elaborar um plano de ação para evitar ou minimizar esse problema, gerando uma importante economia.

O uso da termografia na MANUTENÇÃO PREDITIVA

A termografia é hoje reconhecida como uma técnica de análise rápida, econômica e extremamente potente. Com ela, podemos diagnosticar:

  • Infiltrações ou fugas de água
  • Fendas estruturais;
  • Corrosão de armaduras;
  • Falta de isolamento térmico em fachadas e coberturas;
  • Fissuras em fachadas;
  • Roturas em tanques e depósitos;
  • Roturas em canalizações de água e sistemas de ar condicionado;
  • Traçado de tubulações;
  • Colônia de insetos no interior de madeira de construção;
  • Sistema e equipamentos elétricos e eletrônicos como: mau contato de alguma fiação, oxidação dos componentes, desgaste de peças e sobrecarga de circuitos;
  • Análise térmica do edifício;
  • Entre outros.


Algumas VANTAGENS da utilização da termografia


  • Fácil interpretação dos resultados, já que as imagens são intuitivas;
  • Capacidade de tomar medições em tempo real;
  • Alcance de medições em ambientes insalubres;
  • Método não-destrutivo;
  • Utilização em ambientes sem iluminação;
  • Redução do tempo de inspeção e de trabalho;
  • Não provoca pó nem gera detritos;
  • Não emite qualquer tipo de radiação;
  • Permite fazer teste em uma área completa.


Diagnóstico realizado pela Ponsi Consultoria, sob supervisão do Engenheiro Mário Galvão

Agora que já está um pouco mais claro o que é a termografia e sua aplicação na manutenção preditiva, podemos concluir que ela é de grande auxílio para quem quer instaurar uma rotina de manutenção, uma vez que porque proporciona um diagnóstico rápido e assertivo.

Portanto, a inspeção termográfica - ressalte-se, quando realizada por um profissional experiente e que saiba analisar os dados termográficos, é uma das mais avançadas técnicas de manutenção preditiva e preventiva, pois possibilita um planejamento prévio de manutenção e correção, o que gera grande redução de custos e mão de obra.

Vícios Construtivos em Condomínios

terça-feira, 11 de junho de 2019

Uma séria e competente Inspeção Predial, realizada por um engenheiro ou técnico especializado e preparado, representa um investimento mínimo, se comparado aos custos das decisões equivocadas e os possíveis prejuízos decorrentes da perda da garantia e desvalorização do imóvel. Saiba o que são e porquê identificar vícios construtivos na edificação.


Parte 1

Parte 2

ABNT 5674 - Manutenção Predial

sábado, 25 de maio de 2019

A ABNT 5674 é uma normal extremamente importante para síndicos e condomínios, afinal ela determina as exigências para manter a vida útil da edificação e de seus sistemas construtivos.

Quais as obrigações do Síndico, referente a manutenção predial?
  • O ponto de vista dos tribunais em relação a manutenção predial;
  • Custos ao realizar e não realizar manutenção preventiva;
  • Planejamento.
Assista a entrevista do Engenheiro Mário Galvão concedida a TV Cond:



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